Queridos leitores! Hoje
vim falar de um assunto um tanto quanto polêmico. A maior parte das pessoas que
me pergunta qual religião eu sigo se surpreende com a resposta de que não tenho
nenhuma. E por que deveria ter?
Eu sou uma pessoa que
acredita em várias coisas, mas também não acredito em outras tantas. Sou
bastante cética e geralmente tento racionalizar quase tudo, o que às vezes pode
ser um erro, mas foi a forma que escolhi de viver. A questão prática deste tema
pra mim é que a religião é uma forma de doutrinar as pessoas de acordo com os
moldes que são requeridos, e eu não gosto de absolutamente nada que me prenda
ou que me dite regras do que fazer ou não fazer. Se fosse só por conceitos de
ética e moral, um pouco de bom senso e uma boa criação de pai e mãe seriam já
suficientes. O que me incomoda é estar preso a alguns conceitos de vida, sendo
que durante toda nossa existência continuamos a aprender coisas novas, todos os
dias. Por que dizer então que sou católica ou evangélica ou budista ou judia ou
qualquer outra coisa? Cada uma destas tem o que se aproveitar, porém muito
também o que se jogar fora. Eu prefiro adotar tudo que acho válido e
praticá-los, do que pertencer somente a uma linha de pensamento e levar a ferro
e a fogo.
As histórias geralmente
são muito bonitinhas, do amor ao próximo e do que se deve fazer para buscar o
paraíso. Essa é outra que não me pega. Qual seria o sentido de viver aqui
temente a Deus para depois aproveitar as maravilhas de um paraíso? Vou te
contar, paraíso e inferno estão bem aqui. Assim como ninguém é 100% bom ou mau,
também não existe um lugar ou uma vida totalmente sem percalços. Além disso,
também não concordo com frequentar templos e igrejas para poder sentir-se bem e
em cumprimento de tuas obrigações. Se Deus é onipresente, porque preciso ir até
algum lugar para poder falar com Ele? Na verdade, na minha visão, falar com
Deus é olhar pra dentro, é enxergar além de si próprio e conseguir julgar se
seus atos estão de acordo com os conceitos que acredita.
De nada adianta
subjugar-se a este Deus sem cumprir com as obrigações mais simplórias aqui na Terra.
Acredito muito em troca de energia, que justifica algumas coisas como, por
exemplo, aquele colega de trabalho que é super pessimista e acaba não atraindo
nada de bom para ele ou à sua volta. Ou
ainda, quando você é cercado de amigos que lhe querem bem, o quanto isso te
renova. Acredito que fazer o bem, e este conceito é bastante amplo, é o que vai
também te trazer coisas boas e serenidade. Acho muito difícil alguém que faz
mais mal do que bem aos outros, dormir totalmente tranquilo. Como sabem, de
nada adianta ir à missa no domingo e passar uma semana inteira maltratando os
outros. De nada adianta pregar valores bíblicos e não conseguir ser digna deste
mesmo tratamento.
Desde criança sempre
gostei de tudo que era místico. Já fui a umbanda, cartomantes, joguei búzios,
li mapas astrais, assisti cerimoniais luteranos, tomei
passe no centro espírita, fui pesquisar a origem do catolicismo, me
identifiquei com a Wicca e também estudei teologia. Tudo isso me provou que todas
elas têm algo a nos acrescentar e podem inspirar bastante. O que me deixa
revoltada (mesmo) é a demonização de alguma delas por outra e, ainda pior, o
fanatismo. Quer me irritar é gente tocando a campainha de manhã para trazer a
palavra de Deus para dentro da minha casa. Esse povo não tem mais o que fazer
não? Melhor passar esse tempo fazendo algum tipo de caridade do que tentando
catequizar desconhecidos. Não vou nem entrar no mérito dos canais evangélicos,
seus dízimos e outras aberrações, pois isso é a prova de que a religião pode
ser usada de forma errônea, enriquecendo os fundadores e deixando os seguidores
ainda mais alienados.
Se for pesquisar na
história as atrocidades cometidas em nome de Deus ou uma religião, vai achar
inúmeros atos de envergonhar a história da humanidade. Não se pode levar nada
tão a sério a ponto de matar e morrer por tal. Os conceitos são só nossos e só
nós sabemos o que nos faz bem ou não. Não tenho nada contra quem é religioso e
pratica aquilo por sentir-se realizado, mas o meu ponto aqui é que religião
nada mais é do que um rótulo de alguém que quer sentir-se bem quisto por estar
sob determinada doutrina. Quando era criança achava legal falar que era
católica, pelo fato de ter aprendido na escola de freiras (que frequentei até
os 8 anos), que isso era coisa de gente que queria ser boa. Pois é, foram as
mesmas freiras que próximo ao Natal me contaram que Papai Noel não existe.
Legal é tirar a fantasia de uma criança né? Depois também fui descobrir que
alguns pais doavam determinadas quantias à fundação da escola e seus filhos
tinham melhor tratamento. Engraçado né? Colocar o terço em volta do pescoço não
te faz acima do bem e do mal. Depois quando já era adolescente, entrei numa
fase mais rebelde e tinha um excelente professor de história que nos contava
sobre as barbaridades que foram feitas pela igreja católica. A partir de então,
passei a menosprezar tal religião, mas hoje enxergo nela algumas qualidades. Só
não consigo crer que é necessário ter um templo tão luxuoso e cheio de ouro,
enquanto pregam o fim da pobreza. A hipocrisia das religiões é o que mais me
incomoda. Nessa época comecei a pesquisar por outras religiões, me
identificando bastante com aquelas que priorizassem mais a natureza e a boa
energia. Hoje sou um mix de tudo que aprendi.
Outra coisa que me
incomoda é o fato de conquistas terrenas serem colocadas em nome de Deus. Ora,
se você lutou, batalhou e conquistou, esse mérito é todo seu. De nada adianta
fazer pedidos se você não levantar e se mexer. Como disse, Deus para mim está
dentro de nós, o tempo todo. Ele não é uma figura, ou um ente supremo que
castiga e beneficia seres humanos de acordo com as atitudes. Só nós mesmos
sabemos do que somos capazes, de nossa história, aquilo de que nos orgulhamos e
do que gostaríamos de apagar. Só nós somos capazes de mudar a própria
trajetória e de se arrepender de erros e buscar melhorar. Só nós sabemos as
dificuldades que passamos e também as coisas boas que aparecem. Só nós somos capazes de conseguir perdoar
verdadeiramente e saber que isso passou ou ainda, que por fora somos uma coisa
e por dentro outra. A nossa consciência é o verdadeiro Deus. Preciso dar um
nome pra isso? Acredito que não.
Até a próxima!


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