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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Prisioneiro do Céu

Gente, talvez alguns de vocês não aguentem mais resenhas sobre os livros do Carlos Ruiz Zafón. Mas não tem jeito, ele é um dos meus autores favoritos, e toda vez que lança algo novo eu corro pra Livaria e devoro suas palavras em poucos dias.

Dessa vez vou contar sobre o livro mais recente do autor, "O Prisioneiro do Céu", que é uma espécie de continuação aos livros "A Sombra do Vento" e "O Jogo do Anjo".

A história se passa em Barcelona, como sempre, meados de 1957. Daniel Sempere já é casado com Bea e tem um filho pequeno chamado Julián, além de trabalhar na livraria de seu Pai e ter como sempre a ajuda de seu amigo Fermín.

Este por sua vez, por muitos anos amarga sozinho a solidão de segredos e histórias próprias que não gosta nem de lembrar. Entretanto, após a visita de um misterioso senhor à livraria, que numa época que a livraria estava já sem sucesso e vendendo muito pouco, compra um livro caríssimo de edição limitado do Conde de Monte Cristo, destinado à Fermin e com uma dedicatória um tanto estranha.

Dessa forma Fermín não tem escapatória a não ser revelar à Daniel seu passado, desde 1939 na prisão de Montjuic, e como e porque conheceu Daniel ainda menino, que não por acaso como ele pensava até hoje.

Passeig de Gracia, Barcelona
Como sempre, o livro é muito bem escrito e nos deixa loucos de curiosidade para saber como vai terminar. Barcelona como cenário de fundo é ainda mais inspirador, e quem conhece a cidade vai poder se habituar ainda melhor, pelo Paseo de Gracia, Rua Trafalgar, o mercado... Os personagens se confundem com pessoas que nós próprios conhecemos um dia e a construção de cada cena é feita com a maestria habitual de Carlos. Dessa vez, as últimas pontas soltas das histórias passadas se explicam e aparentemente a história se fecha.

Os três livros que, pode se dizer, fazem parte da série do cemitério dos livros esquecidos, podem ser lidos separadamente, sem que o leitor perca detalhes importantes, mas recomendo muito a leitura em série cronológica, começando com "A Sombra do Vento", depois o "O Jogo do Anjo" e por fim este volume que falo hoje.

Espero que gostem do livro e do autor, tanto quanto eu!
Até a próxima!



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Marina, um conto de fantasias...

Se você lê o blog com frequência e repara nos posts sobre livros, tenho certeza que não é novidade que eu sou super fã do escritor catalão Carlos Ruiz Zafón. Eu publiquei sobre dois livros do autor, em "Carlos Ruiz Zafón: Barcelona em livros", "A Sombra do Vento" e "O Jogo do Anjo" escritos em 2001 e 2008 respectivamente. O autor, até alguns anos atrás, não era nada conhecido por aqui, e por acaso um dia passeando na Livraria Cultura acabei levando um dos livros que mais gostei de ler na vida e acabo relendo de vez em quando.


Por esse motivo, fico sempre de olho nas livrarias para ver se algum novo livro dele chega. Recentemente li um livro dele em inglês (infelizmente ainda não tem tradução para o português), que é o primeiro livro que ele escreveu (1993) e voltado mais para o público adolescente. "The Prince of Mist" e é um livro gostoso de ler e bastante intrigante, mas que deixa um pouco a desejar no final. A história é muito boa e te deixa inquieto e super curioso, mas naquela época Carlos não foi capaz de dar as respostas que qualquer leitor gostaria de ter (ou talvez seja de propósito, mas eu preferia ficar sabendo!). Já havia traços da genialidade dele em contar histórias naquele livro, mas ainda era só um rascunho do autor que ele se transformaria. Lendo este título ainda não era possível imaginar que o que viria depois seriam obras tão fantásticas.

Passado algum tempo recebi um e-mail da livraria comunicando a chegada de um livro de Carlos, que apesar de ter sido escrito em 1999, só apareceu por aqui neste ano. "Marina" tem apenas 192 páginas, o que faz com que seja um passatempo de praticamente um único dia, mas só o fato de ter um livro cheirando a novo nas mãos, ainda mais com esse autor, me empolgou pelo final de semana inteiro (ai gente, que nerd!).

Bom, o livro vem com um mote de que lá estaria um segredo guardado a sete chaves, revelado muitos anos depois. Na verdade, tive a sensação de que Carlos estava contando sobre si mesmo, usando um nome diferente.

A história passa-se em 1980, em que o protagonista Oscar Drai, um menino de 15 anos que vive num internato, passeia pela cidade de Barcelona (ah Barcelona...) atrás de alguma coisa interessante para fazer. Numa dessas escapulidas acaba conhecendo Marina em circunstâncias um tanto quanto esquisitas. Ela se torna sua companheira na busca por aventuras na cidade e acabam de fato encontrando mais do que deveriam.

Ela o leva para um cemitério antigo e lá reparam em uma senhora toda de preto coberta até o rosto, que levara uma rosa para um túmulo sem nome, onde havia apenas um símbolo de uma borboleta negra. Ao começar procurar entender o que aquilo significava, eles se envolvem em um mistério que começara 40 anos antes, cheio de romance, mistérios, dramas e sofrimentos. Ao mesmo tempo que Oscar percebe que lentamente se apaixonava por Marina, também descobria segredos dela e de sua família, irreparavelmente terríveis.

As marcas registradas de Carlos Ruiz Zafón já são bem definidas neste título: adolescentes curiosos e cheios de espírito de aventura, a cidade de Barcelona como pano de fundo, tragédias e fantasias que bem poderiam ser verdade e a necessidade que ele cria nos leitores de não parar de ler por um minuto até que se chegue ao final. Pra quem gosta de mistérios que envolvem situações que vão além da nossa compreensão, trajetórias incríveis com muita criatividade e eloquência, esse autor e seus títulos vão acabar sendo obrigatórios na sua cabeceira, assim como viraram para mim.

Espero que gostem!
Até a próxima!